quarta-feira, janeiro 12, 2005

O MEU VER!


geleira

(foto de Armando Jorge)


Vejo os montes lá ao longe....e as árvores tristes à espera de um pouco de calor!
A neblina é densa e teima!

Os vidros embaciados vão deixando correr uma ou outra lágrima. De tão embaciados... tornam-se opacos.

Vejo os montes além, no horizonte do meu sonho. Só aí! Porque a densa neblina apenas mos deixa imaginar. Mas eu vejo-os! São as minhas montanhas, as serras da minha infância. Tão verdadeiras...tão inocentes... (ou seria eu que, então, era verdadeira e inocente) e estão lá, iguais...ou talvez diferentes...

E a neblina cerrada deprime-me. Porque não posso ver para lá do imaginar as serras da minha infância!

51 comentários:

mfc disse...

Podemos ver tudo o que sentimos...
O ver sem sentir não é importante.

CPC disse...

Agora percebo o teu comentário ;)... mas cada lugar tem o seu encanto, as suas histórias, as nossas recordações! Um não substitui o outro! Bjs

Anónimo disse...

Pessoalmente, costumo distinguir entre o "olhar" e o "ver", sendo que este último é bastante mais exigente, aprofundado, cuidado... é um ir além do simples "olhar".
Eventualmente o que se passa contigo em determinados momentos ou fases da vida é um mero "olhar"... superficial... demasiadamente rápido... e sem (grandes) consequências em termos de resultados. Sugiro uma passagem para o "ver" e ai talvez a neblina por mais cerrada que seja, deixe de deprimir ou servir de obstáculo para o que quer que seja. Talvez assim, mesmo com particularidades invernosas, a paisagem seja ou te pareça bem mais bonita (ou ainda mais bonita) e a tua infância (no seu sentido mais lato) te invada novamente a alma...

Beijo grande,

Sandra
(http://www.void.weblog.com.pt)

O Micróbio disse...

Fotografia interessante... pode-se saber o local?

Anónimo disse...

Há sempre lugares e sentimentos que marcam a nossa Infância, por vezes sabe bem recordá-los, fechar os olhos e fingir que estamos a viver tudo outra vez...
Beijinho

Eliwitch
www.livrodemagoas.blogdrive.com

Armando S. Sousa disse...

Mesmo numa planície há sempre uma montanha que nos turva o horizonte.
É a vida.
Para ser feliz temos que a ultrapassar.
A paisagem da fotografia é muito bonita.
Minho?

hamy-pros-friends disse...

olhando para a leitura que tenho feito deste blog reconheço que é de muito bom gosto.
parabens Blue e continua

R/B Estação disse...

Com uma paisagem dessas acho q ja n teria mto para ver... ;)
Espero q tudo esteja melhor.
Bjs.

LolaViola disse...

Conchinha, o Levemente Erótico acabou há algum tempo. Ainda não tive coragem de o apagar. Provavelmente ficará só nos aquivos. Um beijo. Logo venho ler-te com calma

francis disse...

Às vezes a nossa imaginação consegue ver mais longe do que a nossa visão.
bjs. :-)

AS disse...

Um dia, um raio de sol vai romper essa neblina e voltarás a ver os contornos verdadeios da paisagem inocente da tua infância... poderás então abarçar as tuas montanhas inundadas de luz!...

Um beijo

AnaP disse...

Se esperares um pouco, o tempo há-de levantar e verás em todo o seu esplendor essa paisagem de que falas. É só esperar um bocadinho... Beijinhos***

Vera Cymbron disse...

Vejo a neblina a querer dissipar-se e tu a fugires dela...entra nela, faz com que ela se dissipe em ti!
Jinhos...gosto dos teus textos tb...

Elvira disse...

Apesar de destilar um pouco de tristeza e de melancolia, a neblina é bela.

Seila disse...

Blue, enviei por uma duende uma caixinha (é muito quinininha cuidado não a pises) cheiinha da luz do sol. Colocou-a junto a essa casinha da ribeira. É de todas as cores e quando a abrires, de dia fica uma luz divina e permite ver para além das colinas e para além do presente...leva-te á infância e abre-te o futuro colorido, brilhante! se abrires de noite ficarás inundada de estrelas e com alua cheia e se ficares quietinha sentirás uma poeira fina, indelével cair sobre tudo...não é nebila, não...é pó de estrelas!!!

chemistry disse...

É tão bom viajar até á nossa infância.

Anónimo disse...

Como não te consigo enviar e-mails, deixo aqui informação remetida para amigos do Void:

"Caros amigos:

Contacto-vos para informar/comunicar da próxima iniciativa de destaque no "Abismo Negro..." (http://www.void.weblog.com.pt). Diz esta respeito a uma semana (de Segunda a Sexta-feira) dedicada ao Teatro, com a edição de excertos de peças de importantes/reconhecidos dramaturgos contemporâneos.
Independentemente de já terem sido feitas apresentações de peças no Abismo, ultimamente, enquadradas pelo registo (Um pouco de Teatro)- para além de edições anteriores- isso não invalida, de todo, que se desenvolva algo que permita dar um maior destaque a outras peças e outros autores e ao Teatro na generalidade. Antes pelo contrário. Por outro lado, a minha paixão por esta arte de representar é mais um pretexto/móbil/motivação para que tal se verifique. E é o que vai realmente acontecer.

Comunico-vos, pois, oficialmente o seguinte ;)

SEMANA DE 17 A 21 DE JANEIRO- "UMA SEMANA NO TEATRO"

Edição de excertos de peças de:

- Ester Gerritsen (Holanda)- 2ª Feira

- Judith Herzberg (Holanda)- 3ª Feira

- Jon Fosse (Noruega)- 4ª Feira

- Anthony Neilson (Grã-Bretanha)- 5ª Feira

- Harold Pinter (Grã-Bretanha)- 6ª Feira


Chamo a atenção que esta é/será a primeira semana dedicada, em exclusivo, ao Teatro. Outras se seguirão com outros dramaturgos, de outras origens.

Atendendo à iniciativa em causa, verificar-se-á uma alteração na edição da estória da Alexandra, que acontecia à 2ª e à 6ª Feira. Neste sentido, os próximos capítulos da mesma terão lugar 6ª Feira (como previsto), passando o capítulo de Segunda-feira para Domingo, dia 16 e o de Sexta para Sábado, dia 22. Quanto à edição dos poemas da adolescência (da mesma autora) mantém-se a data de dia 15 (Sábado)- edição já comunicada, sendo o conjunto seguinte editado no dia 23, Domingo. A partir daqui, tudo voltará a entrar na "normalidade".


Conto convosco na plateia do teatro do Abismo. Uma coisa vos digo: vale(rá) a pena pelo interesse dos temas abordados nas peças.


Um grande beijinho a todos,

Sandra"

Nilson Barcelli disse...

Excelente visão.
Espelhada na fotografia (é-me familiar essa paisagem, pois é similar a muitas no Minho) e no belíssimo texto que a acompanha.
Ainda bem que não precisas de óculos.
Beijinho.

ricardo disse...

triste. sentido. como algumas recordações. como alguns momentos. mas... vamos fazer com que não sejam como a vida. sorri, limpa o vidro embaciado e luta por esse olhar. vais ver que a neblina é passageira. beijo

Peter disse...

É tudo relativo e não se pode generalizar."Ver para além",revivendo o passado.Prefiro não o reviver e enterrá-lo bem fundo.Dele só retenho a juventude perdida.

eduardo disse...

Beijito aceite e retribuido.
Grato pela visita.

armando disse...

Se não existisse neblina não se apreciava tanto o sol...

Aromas Do Mar disse...

Uma pessoa que tem uma vida tão preenchida de sentires, como a que tu tens, consegue sempre ver para além do imaginário.
Como está o teu pai?
Um beijo da Mar revolto

azurara disse...

Minha Senhora,

Já vai em 23 comentários.
É fantástico!
Olhe que isto não é ciúme. É mesmo pasmo!

Seu
Azurara

BlueShell disse...

Cavalheiro Azurara...quando a gente sente e traduz o que lhe vai na alma...é uma espécie de "Purificação", de Katarsis...faz bem. E quem sente do mesmo modo limita-se a exprimir essa empatia do sentir...acho eu que é assim...O cavalheiro devia experimentar abrir sua alma...não ser tão objectivo...ir um pouco além da Razão e dar voz ao sentimento. Deixe um pouco de lado a exactidão dos números e das ciências exactas, dos ships e dos servidores...diga o que sente...liberte o sentimento que está prisioneiro bem dentro de si, que eu sei. Sentir-se-á melhor e nada retirará sua masculinidade...lhe garanto.
Sua leitora, BlueShell

BlueShell disse...

Cavalheiro Azurara...quando a gente sente e traduz o que lhe vai na alma...é uma espécie de "Purificação", de Katarsis...faz bem. E quem sente do mesmo modo limita-se a exprimir essa empatia do sentir...acho eu que é assim...O cavalheiro devia experimentar abrir sua alma...não ser tão objectivo...ir um pouco além da Razão e dar voz ao sentimento. Deixe um pouco de lado a exactidão dos números e das ciências exactas, dos ships e dos servidores...diga o que sente...liberte o sentimento que está prisioneiro bem dentro de si, que eu sei. Sentir-se-á melhor e nada retirará sua masculinidade...lhe garanto.
Sua leitora, BlueShell

Colombina disse...

Quem te disse que é preciso chegar a um lugar concreto para alcançar a infância mentiu... Faça como o poeta recomenda: "Fecha os teus olhos à realidade e sonha"...

Mónica disse...

:) A infancia é muito importante e nada melhor k recordar os bons momentos k passa-mos.Beijinho*

azurara disse...

Minha Senhora,

Deixe que lhe diga não entendi essa dialética masculinidade / sensibilidade. Homessa! Então não haverá panascas racionais? Até me estou a lembrar de um agora mesmo, mas não o vou aqui referir.
Mais. Fique a saber que não há nenhum prisioneiro dentro de mim a querer sair sem poder. Bom, a bem dizer, até há, mas antigamente notava-se mais.

Olhe, essa coisa de "ir um pouco além da Razão e dar voz ao sentimento", constantemente, não me parece nada saudavelmente recomendável. Se for de vez em quando, poderá até ser terapêutico. Agora, sempre...

Com votos de uma boa noite,
Seu
Azurara

LolaViola disse...

Podes. Sopra a neblina e deixa o sol entrar. E vai lá. Vai às serras da tua infância. :-)
http://ascoisasquegosto.blogspot.com/

AS disse...

BShell, sei que atravessas momentos difíceis com a doença do teu pai, situação que se complicou com a falta de saúde de tua mãe. A única forma que tenho de te ajudar é deixar-te uma palavra de ânimo e desejar que tudo corra pelo melhor. Eu sei bem quanto isso custa!

Um abraço

Seila disse...

Bom dia! inda bem que gostaste, mas...o gosto foi taaaaanto que triplicaste o teu dizer no meu canto?!!!!!!!!!!!!!:):):)ou queres recordar os TOPES do sapo?!!!!!!!!!!beijinhos (tá tudo bem com o pai?)

Luna disse...

força Blue Shell, esse nevoeiro vai de certo dissipar-se e voltares a ver e a sentir as boas recordações dos montes da tua infância. Beijo grande

Anónimo disse...

Fantastico!
Quem mudou certamente foste tu e nao os montes que tornas a ver.


Gabriel Braga
www.unknownpoets.blogs.sapo.pt

propaganzza disse...

Sabias que a neblina passa sempre, não ´eterna? Está de olhos bem abertos quando ela se dissipar e tudo correrá bem...
bjokas***

Ricardão

lique disse...

O que se altera é normalmente a nossa forma de ver e não a paisagem da infância. Mas algo haverá que te lembra o tempo da inocência. beijinho, Blueshell.

Å®t_Øf_£övë disse...

Bonitas recordações,e bela imagem.é sempre bom recordar,principalmente momentos ou imagens que nos deixam saudade.
Bjs.

Å®t_Øf_£övë disse...

Bonitas recordações,e bela imagem.é sempre bom recordar,principalmente momentos ou imagens que nos deixam saudade.
Bjs.

Peter disse...

Voltei.Desta vez para apreciar a foto.(Peter)

azurara disse...

39!
Não é um número tão harmonioso quanto o 69, mas é bonito. Fantástico!
Pasmo.

Seu
Azurara

Anónimo disse...

que foto esplendorosa.
e que texto mais sublime!! Tens um dom!
Tens textos fantásticos...

Beijinhos..
João Tiago - http://alguidarpneumatico.blogspot.com

rajodoas disse...

Muito pouco a acrescentar
A tudo quanto foi dito
Porque lindo é o lugar
Inspiração do que foi escrito

Papo-seco disse...

O que eu vejo, para além de um muito bom gosto, é uma grande nostalgia da infância.

Mas estou enganado, certamente

MWoman disse...

Não tarda fará um pouco de sol e tu conseguirás ver para lá das serras da tua infância! (As melhoras para o teu pai) Um beijo muito grande.

Luís F. Simões disse...

O que é que não está bem contigo?

Beijo

Anónimo disse...

patinhas : adorei a musica esta fabulosa
fica bem

Marta disse...

Bucólico!

Seila disse...

Blue...diz-me que não percebi bem! escreve-me!bolas esta coisa é FORTE ! escreve sim Blushell?!!! beijoca.

JAP disse...

Beijos para ti, conchinha. Que o teu sonho voe por sobre a serrania. Dias calmos e plácidos.

Pirata disse...

Um poema delicioso servido com uma foto à altura.

Por aqui, estamos a ficar fãs; apesar das diferenças (dos Blogs), partilhamos sensibilidades.

Compensamos a vossa qualidade com um link e com outro poema a condizer:


La neblina

Pienso que la neblina es acaso el aliento
de Dios soplando el alba, empañando el paisaje...
No me lo rompas, sol!
No me lo lleves, viento!
Dejad que Dios respire junto a mí.

Dulce María Loynaz, Juegos de Agua

Saudações Piratas!

Anónimo disse...

Bolas.. Não pares de escrever.. :)

Sandro - www.sescblog.pt.vu (Voltei :P)